Luiza erundina, Marina Silva e Sônia Guajajara se reúnem em ato no Teatro Oficina
Três mulheres, três histórias. Uma Souza e duas Silvas. Um só objetivo. Nesta quinta feira, 24 de setembro de 2026, os caminhos de Luiza, Marina e Sônia se cruzaram em um encontro único. O teatro Oficina Uzyna Uzona, instrumento histórico símbolo de luta da classe artística criado por Zé Celso no centro de São Paulo, ganhou movimento mais uma vez. Foi preenchido por vozes que em uníssono declararam a resistência da democracia e a defesa dos direitos das mulheres.
As vozes são guiadas por um trio de força: Luiza Erundina, Marina Silva e Sônia Guajajara . Marina foi representada por Bezinha Soares, presidente da Rede em SP . Marilena chauí, filósofa e escritora brasileira consagrada, se uniu ao grupo e trouxe reflexões importantes sobre a democracia brasileira. A mensagem do encontro foi bem compreendida: É preciso honrar quem transformou as dificuldades de suas próprias vidas em força para lutar por um Brasil mais justo. Elas fizeram história e ainda continuam construindo o nosso futuro.
Representantes de movimentos sociais, artísticos, culturais, moradores de São Paulo que acreditam em um futuro melhor estiveram presentes. Enfim, o povo se reuniu em torno do discurso destas três mulheres. Quase que como em uma celebração cercada de música, vida e floresta, a palavra de Erundina, Marina e Sônia serviu como alimento que enche o mundo de esperança por um futuro melhor. Separadas elas abriram caminhos e juntas elas constroem pontes para um futuro sem medo.
“A origem do poder é o povo.” Luiza Erundina
Luiza Erundina de Souza saiu do interior da Paraíba, enfrentou a pobreza, formou-se em Serviço Social e dedicou sua vida à defesa das trabalhadoras, dos trabalhadores e das populações mais vulneráveis. Em São Paulo, rompeu barreiras ao se tornar a primeira mulher a governar a maior cidade do país. Sua trajetória nos ensina que a política deve ser um instrumento de transformação social e que ocupar um cargo público só faz sentido quando se governa ao lado do povo.
“Antes era para salvar a democracia, agora é para salvar também a soberania.” Marina Silva
Maria Osmarina Marina da Silva Vaz de Lima nasceu em uma comunidade de seringueiros no Acre, começou a trabalhar ainda criança e foi alfabetizada somente na adolescência. Superou a pobreza e graves problemas de saúde, caminhando ao lado de Chico Mendes e das comunidades tradicionais da Amazônia. Tornou-se senadora, ministra e uma das principais vozes ambientais do mundo, mostrando que proteger a floresta significa também defender as pessoas que vivem nela.
“Estamos aqui para dizer que nós lutamos por nossos direitos, mas nós lutamos também pela democracia do nosso país, pela soberania nacional e contra o ódio.” Sônia Guajajara
Sônia Bone de Souza Silva nasceu na Terra Indígena Arariboia, no Maranhão, em uma família que sempre viveu da força do território e da coletividade. Também precisou sair ainda criança de casa para estudar, trabalhar e conquistar espaços que historicamente foram negados aos povos indígenas. Da luta nos territórios à eleição para a Câmara dos Deputados e à missão de ser a primeira mulher indígena ministra do Brasil, sempre foi acompanhada pela força dos povos originários e das mulheres indígenas.
As diferentes trajetórias se encontraram pelo caminho com a mesma certeza: a política precisa ter o rosto, a voz e a coragem das mulheres brasileiras . Juntas, as três representam gerações que enfrentaram preconceitos, desigualdades e estruturas de poder que tentaram, de todas as formas, excluir a voz das mulheres. Só não esperavam que os desafios fortalecessem esta união.
Quando uma mulher rompe uma barreira, ela abre caminhos para muitas outras. Quando três mulheres abrem caminhos, o mundo se transforma. E é assim, com coragem, compromisso e esperança, que elas continuam lutando por justiça social, justiça climática, democracia e por um Brasil no qual ninguém seja deixado para trás.